"O primeiro desafio do game T-Racer foi no dia do briefing inicial. O Raphael me chamou e perguntou se rolava de fazermos um game de corrida entre um corredor real e um virtual. Respondi que claro, e perguntei o prazo. Aí veio a pegadinha ;-) O prazo era de aproximadamente 30 dias e ainda tinha um monte de coisa em aberto. Mas como tínhamos uma experiência grande em games, especialmente de corridas, assumimos o desafio com a Click.
A partir daí a coisa esquentou e não parou mais. Logo de cara um dos maiores problemas era replicar a pista de Jacarepaguá com uma precisão de centímetros. Pra isso trabalhamos com uma série de fontes de informação, mapas fornecidos pela prefeitura do Rio, arquivos CAD, fotografias de satélite, o bom e velho Google Maps e, como se tudo não bastasse fotografamos cada detalhe do autódromo. Foram quase 1.200 fotos para não deixar escapar nada.
Ainda assim, tivemos alguns cantinhos da pista que simplesmente não encaixavam. Nem mapa, nem fotos pareciam corresponder a realidade. O jeito foi pegar um dos carros que estavam com o GPS pronto para a prova e, alguns dias antes da prova, rodar pelo circuito garantindo que a coordenada x,y virtual batesse com a real.
Uma das partes mais legais foi "ter" de dar um monte de voltas no circuito no Punto T-Jet com um piloto testando as velocidades máximas.
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Como esse era um projeto com a Globo e a margem para erros na TV, num programa como BBB é nula, tudo era redundante. Eram 2 Puntos T-Jet, 4 GPSs, 2 antenas de rádio, 2 servidores, duas linhas de comunicação com o Projac, dois clientes rodando o game. E se qualquer coisa acontecesse entre o Autódromo e o Cockpit, uma LP caísse, uma torre de radio recebesse um raio, o Game seguiria tratando os dados do outro GPS e ninguém nem perceberia. Deu trabalho, no final nem precisamos disso, pois deu tudo certo, mas que deu uma paz de espírito no dia deu. Tínhamos até um game diferente caso chovesse e a água alterasse a performance do carro real na pista.
Pra termos certeza de que superamos todos os nossos limites, a gente trabalhou 3 semanas e meia em Sampa, fomos para o Rio poucoss dias antes da prova, com pouco prazo para acertar os detalhes finais da física do carro e mais alguns detalhes. Estávamos trabalhando 17, 18 horas por dia (alguns 23, 24 horas). Chegamos lá e o pessoal da Globo ainda pediu mais algumas alterações. Coisas simples, apenas tivemos de mudar a interface do game, algumas regras de negócio, remodelar trechos da pista, alterar características do controle do carro, nada que numa situação normal não tivesse consumido uma semana. Fizemos tudo em 30 horas.
O resultado é o que vimos. Qualidade final de Playstation 2,5, jogabilidade 10 e um Punto Virtual alinhadíssimo com o real."
Leo Dias - CEO, TaxiLabs |