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Tony T. Versão Beta
Para aprovar o conceito com a Fiat, não tínhamos tempo de fazer um casting aprofundado. A solução foi pegar o Falcão, que trabalha na equipe de Tecnologia da Click, e produzi-lo bastante para uma sessão de fotos. Resultado: o job foi aprovado e o Falcão ganhou um novo apelido.
Veja as fotos do Falcão como Tony T.:

 

Tony T., nasce uma lenda    

Já sabíamos quem era ele: um afro-americano que nasceu no Bronx e tinha tudo para ser jogador de basquete, mas sempre foi apaixonado por corrida de carros. Começou a tirar rachas nos subúrbios da cidade ainda adolescente, ao som de James Brown e Kool & The Gang.

Trabalhou em diversas oficinas até conseguir uma vaga de mecânico em uma equipe sem grande expressão da Nascar. Viajou por todo o país e teve muita paciência para provar que podia ser o piloto de testes da equipe. Daí para entrar no grid foi um pulo. Correu durante vários anos na categoria, em diversas equipes. Sempre disputando títulos, chegou até à Fórmula Indy.

 

No final da década de 80, após atingir o status de lenda viva do automobilismo norte-americano, aposentou-se como piloto. Em seguida, montou sua própria escuderia de Gran Turismo: a equipe T-Racer, atualmente patrocinada pela Fiat. Equipado com o novo Punto T-Jet de 152 cavalos, ele desembarcou no Brasil recentemente à procura de um novo piloto para sua equipe.

História criada, agora só faltava um nome. Precisávamos de um nome universal e forte, que combinasse com sua personalidade marcante. Passamos por várias possibilidades até chegarmos a Antony Augustus Thomas The Third, ou simplesmente, Tony T. E aí, vai encarar?


 

Autódromo de Jacarepaguá

Durante as visitas técnicas, encontramos o autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em péssimas condições de conservação. Parecia uma pista abandonada: o mato alto em volta do trajeto, os boxes imundos e sem água, a torre de comando com a pintura toda desgastada.

O trabalho de deixar o autódromo mais apresentável aconteceu em duas frentes: na belíssima reconstrução em 3D para o game e no embelezamento físico para a prova do Big Brother. No final, Jacarepaguá ficou até parecendo um autódromo de primeiro mundo.

"O primeiro desafio do game T-Racer foi no dia do briefing inicial. O Raphael me chamou e perguntou se rolava de fazermos um game de corrida entre um corredor real e um virtual. Respondi que claro, e perguntei o prazo. Aí veio a pegadinha ;-) O prazo era de aproximadamente 30 dias e ainda tinha um monte de coisa em aberto. Mas como tínhamos uma experiência grande em games, especialmente de corridas, assumimos o desafio com a Click.

A partir daí a coisa esquentou e não parou mais. Logo de cara um dos maiores problemas era replicar a pista de Jacarepaguá com uma precisão de centímetros. Pra isso trabalhamos com uma série de fontes de informação, mapas fornecidos pela prefeitura do Rio, arquivos CAD, fotografias de satélite, o bom e velho Google Maps e, como se tudo não bastasse fotografamos cada detalhe do autódromo. Foram quase 1.200 fotos para não deixar escapar nada.

Ainda assim, tivemos alguns cantinhos da pista que simplesmente não encaixavam. Nem mapa, nem fotos pareciam corresponder a realidade. O jeito foi pegar um dos carros que estavam com o GPS pronto para a prova e, alguns dias antes da prova, rodar pelo circuito garantindo que a coordenada x,y virtual batesse com a real.

Uma das partes mais legais foi "ter" de dar um monte de voltas no circuito no Punto T-Jet com um piloto testando as velocidades máximas.

 

Como esse era um projeto com a Globo e a margem para erros na TV, num programa como BBB é nula, tudo era redundante. Eram 2 Puntos T-Jet, 4 GPSs, 2 antenas de rádio, 2 servidores, duas linhas de comunicação com o Projac, dois clientes rodando o game. E se qualquer coisa acontecesse entre o Autódromo e o Cockpit, uma LP caísse, uma torre de radio recebesse um raio, o Game seguiria tratando os dados do outro GPS e ninguém nem perceberia. Deu trabalho, no final nem precisamos disso, pois deu tudo certo, mas que deu uma paz de espírito no dia deu. Tínhamos até um game diferente caso chovesse e a água alterasse a performance do carro real na pista.

Pra termos certeza de que superamos todos os nossos limites, a gente trabalhou 3 semanas e meia em Sampa, fomos para o Rio poucoss dias antes da prova, com pouco prazo para acertar os detalhes finais da física do carro e mais alguns detalhes. Estávamos trabalhando 17, 18 horas por dia (alguns 23, 24 horas). Chegamos lá e o pessoal da Globo ainda pediu mais algumas alterações. Coisas simples, apenas tivemos de mudar a interface do game, algumas regras de negócio, remodelar trechos da pista, alterar características do controle do carro, nada que numa situação normal não tivesse consumido uma semana. Fizemos tudo em 30 horas.

O resultado é o que vimos. Qualidade final de Playstation 2,5, jogabilidade 10 e um Punto Virtual alinhadíssimo com o real."

Leo Dias - CEO, TaxiLabs

 

Teste para 30 milhões

Para lançar a ação em grande estilo, impactamos uma audiência de mais de 30 milhões de telespectadores, com uma prova inédita no Big Brother Brasil. Foi um desafio tecnológico e logístico enorme, mas o sucesso compensou: foram quase 50 mil cadastrados no site da equipe T-Racer só no fim de semana em que a prova foi ao ar na TV.

Vale ressaltar a seriedade do piloto T-Racer Luciano Burti que não quis perder de jeito nenhum para os BBBs e acelerou forte o seu Punto T-Jet na pista. Todos os inúmeros testes valeram a pena e, mesmo com a prova acontecendo ao vivo em Pay Per View, não tivemos nenhum problema técnico. Depois da prova, toda equipe envolvida foi para o restaurante Porcão comemorar com muita carne e cerveja.

"A proposta do virtual contra o real veio da parceria FIAT/AgênciaClick. Tinha a cara do programa, era radical, jovem e moderna. Foi uma loucura que resolvemos fazer juntos, muito arriscada, ficou pronta seis horas antes da gravação, mas foi um show!"

Boninho - Diretor do Big Brother Brasil
Jornal Meio & Mensagem - 6/4/2009